O Enigma do Número 137: Um dos Maiores Mistérios Não Resolvido da Física

Richard Feynman e o número 137
Fig 1. Richard Feynman classificou o 137 como um dos maiores mistérios da física teórica.

O Universo ao nosso redor tem uma estrutura fundamental que pode ser vislumbrada por meio de números especiais? Físicos brilhantes como Richard Feynman acreditavam que sim, afirmando que o 137 contém as respostas para o Universo. Conhecida como "constante de estrutura fina" (α), esse número mágico é o grande elefante na sala da ciência, unindo relatividade, eletromagnetismo e mecânica quântica.


1. O Número Puro e o Contato Alienígena

A constante de estrutura fina tem um valor quase exato de 1/137 (ou 1 / 137,03599913). O que a torna tão especial é ser considerada o melhor exemplo de um "número puro", totalmente desprovido de unidades de medida (como metros ou segundos). Ela combina três constantes fundamentais da natureza: a velocidade da luz (c), a carga elétrica transportada por um elétron (e) e a constante de Planck (h).

 número 137
Fig 2. Richard Feynman classificou o 137 como um dos maiores mistérios da física teórica.

Segundo o astrobiólogo Paul Davies e o físico Laurence Eaves, se quiséssemos sinalizar para alienígenas que compreendemos a mecânica quântica e temos domínio sobre as leis do nosso universo, enviaríamos o número 137. Qualquer civilização alienígena avançada, independentemente de como meçam o tempo ou o espaço, também conheceria esse exato número.

Wolfgang Pauli
Fig 3. O Prêmio Nobel Wolfgang Pauli, que brincou que sua primeira pergunta ao Diabo seria sobre o 137, faleceu ironicamente no quarto de hospital número 137.

2. A Obsessão dos Gênios

A incapacidade de deduzir esse número a partir de uma teoria matemática enlouqueceu grandes mentes. Feynman dizia que todo físico deveria se preocupar com ele, chamando-o de "um número mágico que chega até nós sem a compreensão do homem".

O ganhador do Prêmio Nobel Wolfgang Pauli (1900-1958) ficou obcecado por ele durante toda a vida. Em sua palestra no Nobel de 1946, Pauli afirmou ser necessária uma teoria que determinasse o valor da constante para "explicar a estrutura atomística da eletricidade". A obsessão era tanta que ele costumava brincar: "Quando eu morrer, minha primeira pergunta ao Diabo será: Qual é o significado da constante de estrutura fina?".

Richard Feynman e o número 137
Fig 4. Richard Feynman classificou o 137 como um dos maiores mistérios da física teórica.

3. A Luz das Estrelas e as Novas Dúvidas

Na prática, o 137 é usado para medir a interação de partículas carregadas com campos eletromagnéticos. O alfa determina a rapidez com que um átomo excitado pode emitir um fóton. Cientistas observaram um padrão de mudanças de luz vindo dos átomos, chamado de "estrutura fina" — vista na luz do Sol e de outras estrelas —, que dá nome à constante.

Mas por que a natureza insiste nesse número? Ele aparece em vários cálculos desde a década de 1880, estimulando inúmeras tentativas (até hoje falhas) de se criar uma Grande Teoria Unificada. Para tornar o mistério ainda maior, pesquisas recentes introduziram a possibilidade de que a constante tenha, na verdade, aumentado ligeiramente nos últimos seis bilhões de anos.

Richard Feynman e o número 137
Fig 5. Richard Feynman classificou o 137 como um dos maiores mistérios da física teórica.

A Matemática por trás do 137

Se você gostaria de saber a matemática exata, a maneira como se chega ao alfa é colocando as três constantes (h, c e e) juntas na equação. Como as unidades de medida se cancelam, o número puro é deixado para trás. Por razões históricas, utiliza-se o inverso da equação: 2πe2 / hc = 1 / 137,03599913. O valor exato dessa fração decimal é 0,007297351. Uma simples divisão que esconde o código-fonte da própria realidade.

Boa leitura